sábado, 13 de junho de 2009

The missing towers - New York

Durante uma viagem de barco que segue o curso do rio Hudson, do lado Ocidental da ilha de Manhattan, temos o privilégio de poder contemplar algumas das paisagens mais bonitas do skyline da cidade de Nova Iorque. 

Mas foi já depois da península onde se inscreve o downtown da cidade que nos aproximámos de um dos pontos altos desta viagem, quando passámos a poucos metros da Liberty Island e de um dos símbolos mais importantes do Estados Unidos, The Statue of Liberty

Uma estátua que é também uma referência firme ao valor da liberdade, como um dos direitos fundamentais que a América tem adotado como grande prioridade (só é pena que, mais recentemente, na era Trump, todos esses valores originais estejam a ser postos em causa). A estátua foi projetada e construída em França e oferecida aos Estados Unidos, depois de ter sido transportada de barco durante mais de um ano, separada em 350 peças com um peso total de 160 toneladas. Após a sua montagem na Liberty Island a Estátua da Liberdade abriu ao público em 1886 e é, até hoje, uma das grandes referências da nação norte americana. 

Mas depois de algum tempo em torno da Liberty Island invertemos a marcha e voltámos a encarar o conjunto de arranha-céus que definem o contorno do downtown da cidade. 

E foi nessa altura que, pela primeira vez, senti uma forte ausência da antiga referência da cidade de Nova Iorque, o World Trade Center com as suas Twin Towers, que desapareceram desta paisagem desde a minha última visita em 1996. 

Já tinha passado pelo Ground Zero, onde outrora se ergueram as torres, mas encontrei apenas um enorme estaleiro de obras, com gruas e contentores, e já com a estrutura da nova torre a emergir. Mas, estranhamente, naquele epicentro de toda a tragédia, não consegui sentir a importância nem a carga emotiva que aquele local encerra. Ou talvez nem quisesse mesmo sentir esse dramatismo que lhe está associado . . . talvez tivesse já feito o luto que aqueles acontecimentos justificavam. 

Mas daqui, contemplando um skyline amputado, foi-me impossível não recordar aqueles instantes em que a história do mundo mudou, ao mesmo tempo que a própria cidade se transformava para sempre. Não foi só o seu skyline, que agora observava, notando a ausência das torres, foram as cicatrizes profundas que se abriram naquele dia fatídico, e que jamais serão fechadas. 
Fecho os olhos e a memória faz com que as imagens perdurem, a silhueta das torres volta a materializar-se e o espírito da cidade parece manter-se intocável . . . mas de regresso ao presente, sinto agora esta ausência como uma ferida insuperável e devastadora. 

Carlos Prestes 
Junho de 2009

sexta-feira, 12 de junho de 2009

No império dos sentidos - Empire State Building (New York)

Programei chegar à 34th Street ao final da tarde, para entrar no Empire State Building e subir até ao topo ainda com luz solar, e assim poder assistir lá de cima ao pôr-do-sol e ao cair da noite. 

A filas são sempre o grande problema com que nos debatemos na visita a uma cidade, por isso, neste caso, é conveniente levar os ingressos já comprados para minimizar a demora. No entanto, e mesmo já sem ter de comprar os bilhetes, será ainda expectável que se perca algum tempo na fila para o elevador, e quando digo algum tempo, quero dizer mais de uma hora. Mas no final vai valer a pena. 

O Empire State Building é um dos grandes arranha-céus da cidade de Nova Iorque. Tem 102 andares e uma altura de 381m até ao terraço de cobertura, mas atinge os 443m com a torre da antena. Quando da sua inauguração, em 1931, o edifício era o mais alto do mundo e manteve esse estatuto durante quase 40 anos, até ser concluída a torre Norte do complexo do World Trade Center, no final de 1970. 

O edifício foi projetado em estilo art déco e foi classificado como uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno pela Sociedade Americana de Engenheiros Civis, algo que me impressiona, a mim, em particular, mas mais por deformação profissional. 

E ao longo dos quase 90 anos da sua história, este edifício foi vivendo alguns episódios que marcaram a cidade. Logo em 1933 a torre ficou associada a um filme que se tornou um clássico, o King Kong, onde um enorme gorila se pendurava no prédio para combater os aviões que o tentavam caçar. Mais tarde, em 1976, o edifício volta a aparecer no remake desse mesmo filme. 

Já fora da ficção, em 1945, um bombardeio B-25 perdeu as referências devido a um forte nevoeiro e colidiu com a fachada Norte da torre, entre os andares 78 e 80, causando 14 mortes. O incêndio provocado pela colisão foi controlado em apenas 40 min, o que garantiu que o edifício não se tivesse desmoronado. 


E depois de uma longa espera cheguei finalmente ao patamar de observação, primeiro ainda no meio de alguma confusão, mas, mais tarde, pude então chegar até à grade de proteção e consegui contemplar a paisagem. 

Estávamos no final de uma tarde quente de junho quando, finalmente, consegui olhar sobre a cidade, e experimentei uma sensação inesquecível. A imagem daquele conjunto de arranha-céus grandiosos foi arrepiante, uma espécie de vertigem que me engoliu e emocionou. 

Foi como se todo o mundo estivesse ali aos meus pés e já não era possível abandonar o alto daquele edifício, tinha de ficar por lá, tinha que me demorar o tempo necessário para me comover devidamente por toda aquela profusão de sentidos, que me baralhava enquanto me deixava tremendamente feliz. 

Estávamos ainda ao entardecer e resolvi permanecer por lá até assistir ao espetáculo. E o show começou, primeiro foram as cores alaranjadas do pôr-do-sol e, mais tarde, a noite começou a cair e a cidade foi escurecendo, enquanto surgiam, como que por feitiço, milhões de pontos luminosos que transformaram aquele momento numa noite mágica e inesquecível, e aquela cidade, na mais bela cidade jamais vista. 
Não é fácil reproduzir a sensação esmagadora que me tomou no alto daquela torre imperial que domina toda cidade e que me tocou em todos os meus sentidos, perfeitamente rendido aos encantos daquela cidade magnifica. 

Carlos Prestes 
Junho de 2009

Voltar à página inicial

sábado, 24 de novembro de 2007

No castelo dos sonhos - Castelo de Neuschwanstein na Baviera

O Castelo de Neuschwanstein é o mais bonito e mais importante dos três castelos do rei Ludwig II da Baviera, construído sob a inspiração da obra do seu amigo e protegido, o compositor Richard Wagner. O rei Ludwig II, ou Luis II, na tradução portuguesa, que governou a Baviera no final do século XIX, era um romântico e um sonhador, e mandou construir, durante o seu reinado, vários castelos e palácios extravagantes, gastando o dinheiro do reino de uma forma obstinada e quase insana, o que fez com que o apelidassem popularmente como "Rei Louco". Mas foi o seu próprio governo, aproveitando esse mito popular e receando as dívidas, que não paravam de aumentar, que lhe diagnosticou uma doença mental, declarando-o oficialmente como louco, tendo sido deposto e preso, exatamente um dia antes de sua morte. 

Mas graças à loucura, ou extravagância, deste governante, o reino da Baviera terá ficado um pouco mais pobre mas, como herança, foram deixados três castelos dos mais fantásticos que podem ser encontrados em toda a Alemanha.

A visita começa no pequeno vilarejo de Hohenschwangau, localizado no sopé da montanha, onde tomamos a decisão de fazer a subida até ao castelo, escolhendo um Shuttle Bus local, uma requintada charrete ou, simplesmente, optando por caminhar até ao topo pela estrada ou mesmo seguindo por um trilho alternativo.

E era inevitável que essa fosse a nossa escolha, seguindo a pé pelo trilho e aproveitando cada momento que a montanha nos haveria de oferecer. A subida chegava a ser quase uma escalada ao longo de um carreiro sombrio que ia perfurando uma densa floresta. Mas aqui ou ali, iam-se abrindo pequenas clareiras com paisagens que eram quase sempre esplendorosas, com as colinas que contornam a grande montanha e o enorme espelho de água do lago principal, em torno do qual se erguem outros palácios e casas senhoriais imponentes,

O percurso é quase sempre inspirador mas o momento chave e aquele que mais nos deslumbrou em toda a caminhada, foi o instante em que contornámos a colina, alcançando a pequena ponte de Marienbrücke, que liga as encostas escarpadas do desfiladeiro, e se abriu, ali bem à nossa frente, a imagem de um vale inacreditável, dominado pela imponência e pela beleza do castelo . . . e de repente, foi como se um cenário encantado nos tivesse engolido, e nos fizesse entrar num mundo de fantasia, de príncipes e princesas. Não foi por acaso que Walt Disney escolheu este castelo como inspiração e modelo para criar o palácio que recebeu o grande baile, na noite de magia, que viria a transformar a Gata Borralheira na princesa Cinderela.

Estávamos ainda trémulos do cansaço da subida, mas sobretudo do impacto daquela imagem que nos surgiu de repente e sem aviso. Parámos sobre a ponte e tentámos descortinar cada detalhe daquele postal ilustrado onde tínhamos acabado de entrar. Inspirámos o ar fresco a plenos pulmões e deixámo-nos ficar o tempo suficiente para que as emoções sossegassem.
O interior do castelo é magnifico, com divisões luxuosamente mobiladas e com tetos e paredes debruados a ouro e outras preciosidades. E é também um exemplo de modernidade, tendo sido equipado com a mais alta tecnologia disponível à época, como uma rede de água corrente, quente e fria, que abastecia as casas de banho, e um sistema de aquecimento, altamente revolucionário, e bastante conveniente durante os Invernos e os constantes nevões. 

Mas por muita beleza que o interior do castelo pudesse oferecer, nada se podia comparar à sensação de termos sido envolvidos por aquela paisagem encantadora, que nos fez viajar até ao mundo dos sonhos. No percurso de descida atravessámos uma vez mais a ponte de Marienbrücke e voltámos a encarar o castelo e a contemplá-lo demoradamente . . . e ali permanecemos até nos sentirmos saciados, e só então, prontos para a derradeira despedida.

Carlos Prestes
Novembro de 2007

Voltar à página inicial

terça-feira, 12 de setembro de 2006

Ao sabor do vento - Num barco à vela, do Algarve até Lisboa

Ao longo de vários anos tive o privilégio de fazer parte da tripulação de um veleiro e, durante esse período, participei em muitas regatas onde chegávamos a lutar pelos lugares da frente. Essa condição competitiva com que vivíamos cada regata não nos permitia desfrutar do verdadeiro prazer de velejar, sem pressa e sem destino. Foi assim, sob a adrenalina do cronómetro, que fomos percorrendo o estuário do Tejo e, por vezes, até para lá do Bugio, chegando a Sesimbra e a Tróia.

Mas nesta viagem, em setembro de 2006, velejando desde o Algarve até Lisboa, fizemos de forma diferente, parámos e navegámos quando quisemos, sem horários nem compromissos, ao longo de três dias, entre o mar e alguns portos de abrigo.

No final de qualquer odisseia o regresso a casa é sempre um momento de grande exaltação e, na nossa chegada a Lisboa, não foi diferente. Já depois de deixarmos a estibordo os longos areais das praias da Caparica, levantou-se a nortada que chega ao rio todos os dias nos finais de tarde, as velas obedeceram e o barco começou a adornar e entrámos em modo de regata, com bordos sucessivos para manter o ritmo e fazer despertar a adrenalina, numa espécie de sprint final, para acabarmos a viagem em beleza. 

Contornámos o Bugio, esse farol que é quase místico, e que nos guia mas também nos assusta, revelando uma presença tantas vezes fantasmagórica. Entrámos no estuário do Tejo e o sol começou a cair e foi colorindo as águas em tons alaranjados que iam ficando cada vez mais escuros, num pôr-do-sol que nos mostrava Lisboa numa penumbra quase melancólica, pronta para nos acolher neste regresso a casa. 
Apenas três dias no mar, mas podiam ter sido semanas ou meses, que encontraríamos esta mesma cidade pronta para a nossa chegada, guiando-nos ao nosso porto final, junto ao Padrão dos Descobrimentos, onde fomos recebidos pelo mesmo Infante, que tanto simboliza a história dos navegantes, sem nunca sequer ter navegado. 

Foram três dias de descoberta, não descobrimos praias desertas nem ilhas perdidas, mas sinto que me descobri a mim próprio mais um bocadinho. Em todas as viagens encontramos sempre qualquer coisa de nós próprios, mas quando temos apenas o mar como parceiro, as reflexões são mais profundas e a descoberta é ainda mais marcante. 

A vida continua em terra firme, mas não vou esquecer o flutuar ondulado que me embalou e me encantou nestes dias extraordinários. Baixámos as velas e amarrámos o barco . . . já com saudades desta vida de marinheiro. 

Carlos Prestes 
Setembro de 2006


segunda-feira, 23 de maio de 2005

Lago de Como


A cerca de 50 km, quer da cidade de Milão quer do Aeroporto de Milão-Malpensa, fica a cidade de Como, banhada por um dos Lagos mais glamorosos de toda a Europa, o Lago di Como.

Trata-se do terceiro maior lago de Itália, depois dos lagos de Garda e Maggiore. A sua origem resulta da água dos degelos de glaciares nos Alpes, que se acumula neste vale cavado entre montanhas ingremes, com extensas florestas e com dezenas de pequenas aldeias e vilas históricas. É também um dos lagos mais profundos da Europa, atingindo mais de 400m de profundidade.

O lago proporciona um cenário absolutamente deslumbrante, pelos tons de azul forte das águas, que vão variando em função das profundidades, e pelos verdes intensos dos bosques, pontilhados pelas casas que se dispõem desde o alto das encostas até às margens do lago, onde sobressaem algumas mansões de luxo, que aqui são chamadas de villas, normalmente com jardins majestosos sobre o lago, e que fazem as delícias dos milionários de todo o mundo.

A visita ao lago, para quem não tenha uma villa luxuosa e nem sequer se consiga alojar num dos hotéis de charme próximos das margens, pode ser feita de duas formas: ou de carro, ao longo da estrada sinuosa que contorna toda a margem do lago, ou então de barco, seguindo um dos passeios coletivos, ou mesmo alugando um barco… em função do valor que se queira gastar.

Recomendo uma combinação destas duas alternativas, com um percurso de alguns quilómetros ao longo do lado Oeste do lago, parando sempre que possível nos pontos mais interessantes… fazendo-se depois um passeio de barco que permita contemplar a paisagem de um outro ângulo.

Em qualquer dos trajetos não deixamos de ser surpreendidos por belas paisagens e por uma envolvente fantástica. Desde o ambiente bucólico junto ao espelho de água, com as casas luxosas na primeira linha, até às montanhas íngremes e verdejantes, dos bosques viçosos que as ocupam, e onde surgem as aldeias pitorescas que se dispõem ao longo do vale.

No trajeto da subida do lago, numa estrada de curvas e contracurvas, e com imensa dificuldade para estacionar junto aos pontos mais apelativos, lá fomos conseguindo fazer algumas paragens, mas quase sempre algo longe dos locais a visitar, o que nos obrigava a pequenas caminhadas, mas que se tornaram ainda mais apetecíveis por nos revelarem recantos escondidos com paisagens deslumbrantes.

Na viagem de barco vão-nos revelando alguns das imagens mais preciosas e que não conseguimos observar no percurso de carro, tornando-se visível toda a linha de costa, à beira do espelho de água, onde se encontram as famosas villas de alto luxo, autênticos palacetes com jardins radiosos, onde se imaginam festas para celebridades e convidados de muitos milhões de euros.

Uma das mansões mais procuradas deste local é a Villa Oleandra, que só pode ser observada a partir do lago, e que, aparentemente, é apenas mais uma villa luxuosa, com um imenso jardim desde a casa até ao ancoradouro privativo. Mas esta tornou-se particularmente especial quando foi adquirida por George Clooney em 2002, pela quantia simpática de sete milhões de dólares, tornando-se assim no local ideal, para quem esteja convidado, ir até lá tomar um Nespresso, what else?... estranhamente não foi o nosso caso!

Mas naquele dia em particular, com a nossa presença, estes lugares nas margens do lago revelaram imagens que foram ainda mais especiais e absolutamente encantadoras… e não acredito que possam existir fotos mais belas em todo um vasto portfolio de fotografias do Lago di Como.

Carlos Prestes

sábado, 21 de maio de 2005

A torre inclinada de Pisa


A Norte da região da Toscana encontramos um dos destinos imperdíveis de Itália, não porque seja um lugar fascinante e que nos apaixone, mas apenas por ser um daqueles locais que toda a gente tem que visitar uma vez na vida… e este local é Pisa, ou melhor, a torre de Pisa… porque é só o que visitamos nesta cidade toscana, um imenso relvado, a Piazza dei Miracoli, com a Catedral de Santa Maria da Assunção, o Duomo da cidade e, claro, com o seu campanário, uma torre inclinada que todos conhecem como Torre de Pisa

Depois de percorrermos a Toscana fica-nos a ideia de que já vimos tanto, que esta torre já não acrescentaria grande coisa… mas há o pormenor desta ter sido mal construída ou não ter sido devidamente acautelado o comportamento dos seus solos de fundação. Um erro, de cálculo ou de execução, que fez desta construção deficiente uma das torres mais famosas do mundo.

Depois houve uma intervenção providencial que fez com que a torre não tivesse caído nem tivesse sido recolocada na vertical, ficou exatamente com tinha de ficar, estável mas inclinada, para assim continuar a receber os milhões de turistas que a visitam.

E, por isso, lá vamos todos em romaria visitar a torre… muitos japoneses, claro há japoneses por todo o lado… mas nós também lá vamos. E todos nós, tal como os japoneses, tiramos a fotografia da praxe (de que vos vou poupar nesta publicação) com a mão a amparar o vazio, para que na foto dê a ilusão de que é a pessoa fotografada que está a impedir que a torre caia.

Passámos algum tempo no relvado em torno do Duomo e da torre, mas não há magia… assume-se o chip de quem está num parque de diversões e, no final, quase que acabamos por ficar com os olhos em bico.

Será uma visita imperdível?... sim, talvez seja, acho que se justifica o desvio para fazer uma visita rápida, mas só uma única vez na vida para ver como é que é esta torre que quer desafiar as leis da gravidade… e fica visto!

Carlos Prestes

sexta-feira, 20 de maio de 2005

Piazzale Michelangelo – Firenze


Ao terceiro dia na Toscana chegámos finalmente a Florença, a grande cidade da região e um dos principais centros culturais e artísticos de Itália, considerada como a capital do Renascimento.

Para além dos habituais percursos pela cidade, que são naturalmente recomendáveis, existe um único lugar imperdível na cidade de Florença: a Piazzale Michelangelo… uma praça em forma de balcão que se ergue no alto da colina ao Sul do centro histórico, e que funciona como um dos miradouros mais extraordinários em que já estive.

Na subida até alcançamos o miradouro não imaginamos que vamos encontrar uma vista tão compensadora, mas quando chegamos, abre-se à nossa frente a imagem do próprio Renascimento, um autêntico museu vivo com algumas das preciosidades da história de arte mundial… a paisagem, ainda com os traços medievais, das margens do rio Arno, com a magnífica Ponte Vecchio - o Palazzo Vecchio, mais uma construção medieval, com a imensa Torre de Arnolfo - ou o Duomo de Santa Maria del Fiore, a Catedral da cidade, com a sua cúpula majestosa, com sinais da preciosidade arquitetónica do Renascimento.

Tudo isto surge ao nosso alcance numa única imagem como quem mergulha num extraordinário cartão postal.

Mas não basta visitar este magnífico miradouro uma única vez, é também imprescindível voltar lá durante a noite. Depois do pôr-do-sol as cidades adquirem uma outra face, como se fossem lugares diferentes, mais intimistas e mais acolhedoras, sem a amálgama impessoal dos muitos turistas que as afogam durante o dia.

E é assim, quase em estado natural, que encontramos a cidade de Florença quando a contemplamos durante a noite da Piazzale Michelangelo, a mesma beleza monumental, mas agora sem o ruido e a azáfama habituais de todos os dias, revelando uma pureza que é quase arrepiante.


Florença só é a cidade que é porque pode ser contemplada da Piazzale Michelangelo, de uma forma tão poética, que é como um fresco de um dos seus grandes mestres.