quarta-feira, 18 de abril de 2012

O castelo flutuante de Rappalo


Do lado Nascente da baía de Rappalo encontramos o ícone principal da cidade, uma fortaleza que se ergue do mar, como um castelo flutuante. O Castello di Rapallo encontra-se em pleno espelho de água da baía, ao contrário da maioria dos castelos, que se localizam nos montes mais altos. A sua construção remonta ao século XVI e contém no seu interior uma pequena capela dedicada a San Gaetano, construída no século XVII.

O monumento é o símbolo principal da cidade de Rapallo e foi declarado como um monumento nacional italiano, mas é sobretudo uma preciosidade paisagística, quando enquadrado na magnífica baía que banha esta cidade.

Pela manhã percorremos toda a zona marginal em torno do espelho de água, que nos foi revelando algumas paisagens particularmente bonitas, com destaque para esta imagem curiosa que enquadra o castelo, que emerge do mar como se flutuasse, com as casas e mansões coloridas ao fundo, a preencherem a encosta verdejante e formando um conjunto magnífico.


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Rapallo, à entrada da Riviera


A cidade de Rapallo é a maior da zona da Riviera italiana e serve muitas vezes como base para visitarmos os locais mais interessantes desta região, mas não deixa de ser também uma cidade bastante bonita que merece ser visitada por si só.

A cidade desenvolve-se em torno de uma baía circular com cerca de 500m de diâmetro e apresenta um centro histórico muito característico, também com os edifícios coloridos, tanto os mais clássicos como até os mais modernos.

Tivemos o primeiro contacto com Rapallo já à noite, quando saímos para jantar depois de regressarmos das Cinque Terre e ficámos encantados com a quantidade e qualidade de restaurantes que a cidade disponibiliza, sempre com um ambiente muito agradável e acolhedor. São restaurantes para todos os gostos e todas as bolsas, sobretudo com uma oferta à base de peixe e marisco, principalmente ao longo da marginal que delimita a baía e que se torna esplendorosa, sobretudo durante a noite, quando é particularmente marcada pela presença de um castelo iluminado sobre uma pequena língua de terra que invade o mar junto à costa.

Entrámos mais tarde no centro histórico onde percorremos a malha de ruas apertadas entre os prédios típicos que formam esta zona da cidade, até encontrarmos o hotel onde iríamos ficar. Desta vez, cometemos a imprudência de escolher um hotel bem no centro histórico da cidade, na praça principal, a Piazza Cavour, junto à Basílica dei Santi Gervasio e Protasio, no último andar de um prédio antigo, pintado a amarelo caril, mesmo ao lado da torre da basílica… onde começaram a martelar vigorosamente os sinos a cada hora da manhã, que era ainda madrugada.

Mas, ao amanhecer, ao tomarmos o primeiro cappuccino do dia numa esplanada que nos oferecia a magnífica imagem da torre da basílica, esquecemos o sono agitado e sentimo-nos compensados por podermos estar ali àquela hora, e poder aproveitar toda aquela envolvente.


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A Riviera Italiana


A zona da Riviera é uma das mais elegantes e glamourosas de Itália, sobretudo Portofino, um local que me encantou logo na primeira visita, ainda nos anos 80, o que me fez lá voltar depois disso mais três vezes.

São cidades, ou aldeias, com grande charme, embora sejam frequentadas de forma massiva na época balnear, apesar das praias não terem a qualidade a que estamos habituados no nosso país e, muitas delas, serem privadas.

Mas para além dessa afluência mais popular em época alta, a Riviera é também o local de concentração das grandes fortunas, de Itália e de França, tal como a Riviera francesa, por onde circulam nos seus Bentleys ou Ferraris, entre os campos de golf e os restaurantes de altíssimo nível e pelas marinas apinhadas de barcos de luxo. Atrizes, top-models e milionários, numa combinação comum, são alguns dos frequentadores desta zona que tem uma arquitetura preciosa, que consegue misturar a traça pitoresca da Ligúria com toda uma envolvente luxosa.

E nós, turistas portugueses, tentamos experimentar o luxo e o charme de alguns locais, mas sem direito a andar de Ferrari e sem nos esticarmos muito nos restaurantes, ou entrar nas festas privadas dos iates da marina. Mas, ainda assim, é um local onde nos conseguimos sentir bastante bem e tem uma oferta tão grande de restaurantes e esplanadas, que nos permite pairar entre o luxo e a realidade sem nos sentirmos diminuídos.

Mas a principal marca desta zona de Itália e que se vai revelando em cada baía que se forma ao longo da costa, são as paisagens magníficas do contraste entre o mar e a serra, o azul das águas do Mediterrâneo e as encostas verdejantes adornadas pelas casas, por vezes casas de luxo, sempre coloridas com aqueles tons quentes, tão típicos desta zona da Ligúria.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Monterrosso del Mar


Faltava apenas a aldeia de Monterrosso ou Monterrosso al Mare, a última das Cinque Terre e a única que que tem uma praia, embora com areia escura e calhau, mas que é mais apetecível que as das outras aldeias, não tanto pela areia, mas pela água, de um azul vivo e com uma boa temperatura, como em todo o Mediterrâneo.

A estação ferroviária fica mesmo junto à praia que se desenvolve ao longo de uma baía com cerca de 400m. No contorno da praia existe um calçadão pedonal, a Via Fegina, que é um espaço bastante agradável para caminhadas, com esplanadas e gelatarias. Percorre toda a baía e leva-nos por um túnel pedonal que atravessa o penhasco, que separa a praia da aldeia.

Já do outro lado, ao chegarmos à aldeia, encontramos uma outra baía, também bastante bonita, e uma outra praia, menor que a anterior, com cerca de 200m.

Entramos depois nas ruelas da aldeia com casas coloridas, como nas aldeias vizinhas, mas não tão bonitas. Encontramos também a igreja católica, que é o único monumento deste lugar, a Chiesa di San Giovanni Battista.

Voltámos à primeira baía e aproveitámos o contorno da praia para uns banhos de sol retemperadores, no final de um dia tão rico, mas tão cansativo, terminando assim em beleza esta viagem às fantásticas aldeias das Cinque Terre.

 
Falta-me ainda falar da gastronomia local e, porque estamos na Ligúria, será incontornável experimentarmos o molho de Pesto, originário desta região de Itália, um preparado com manjericão, pinhões, queijo e alho.

Assim, na paragem que fizemos para almoço, numa das esplanadas que estas aldeias sempre oferecem, experimentámos justamente um prato típico da região, o Trofie al Pesto. Pode ser considerado o prato mais clássico da Ligúria, por ser feito com o pesto local e com trofie, um tipo de massa que é também da região, bastante bom, mas com um aspeto um pouco duvidoso, quase parecem “minhocas” brancas.

Mas o conjunto é excelente, sobretudo porque o acompanhámos com um branco seco (muito fresquinho) feito das uvas de vinhas plantadas nas encostas íngremes desta região da Ligúria.

Carlos Prestes



Vernaza


Vindos de Corniglia, de Monterrosso ou de Manarola, o destino seguinte será a aldeia de Vernazza, mais uma das Cinque Terre.

Uma aldeia com uma arquitetura mais rica que as demais, incluindo alguns monumentos, como o edifício da Comune di Vernazza, o Castello Doria di Vernazza, junto ao mar, e a Chiesa di Santa Margherita di Antiochia, junto à baía que serve de praia e de porto, de recreio e de pesca.

As ruas não passam de pequenas ruelas ou becos que convergem até à baía, onde contemplamos o mesmo tipo de casas com as cores quentes da Ligúria, que fazem desta baía um local típico e pitoresco.

No mês de abril a aldeia não mostrava ainda as imagens de uma zona balnear, com barcos de recreio e muitos turistas a nadar ou nas espreguiçadeiras. Mas, num dia bonito, como era este, mesmo ainda distantes do Verão, podemos já aproveitar as esplanadas de alguns dos restaurantes abertos na orla do mar e apreciar toda a beleza envolvente, bem visível nos traços de uma aldeia tão pitoresca como esta.  

Carlos Prestes


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Corniglia


A partir de Manarola a aldeia seguinte é a de Corniglia, mas esta é a única das cinco aldeias que não tem acesso direto por comboio. Embora no mapa ferroviário a linha passe muito próxima da aldeia, na verdade, enquanto Corniglia fica no alto de uma montanha rochosa, o comboio cruza essa mesma montanha, mas através de um túnel, quase ao nível do mar.

Desta forma, quem quiser visitar Corniglia deve continuar até à próxima paragem de comboio, já na aldeia de Vernazza, e daí apanhar um autocarro que faz o percurso de cerca de 6km até ao alto da encosta, e assim, poder visitar a aldeia de Corniglia. No final da visita deverá depois fazer o trajeto inverso.

Corniglia é claramente a aldeia menos interessante das cinco e, por isso, a maioria dos visitantes acabam por nem ir lá, devido a toda a logística que é necessária. De qualquer forma, e para quem decida fazer esta visita, saiba que, mais interessante do que entrar e visitar a aldeia de Corniglia, será a paisagem durante o percurso de autocarro, em que é possível contemplar de vários ângulos as bonitas imagens ao longe da própria aldeia.

Carlos Prestes


Manorola


Para seguirmos até à próxima aldeia resolvemos dispensar o comboio e fizemos o percurso a pé seguindo pela Via dell'Amore, um trilho estreito, com cerca de um quilómetro, esculpido na encosta, e que nos leva num trajeto sobre o mar até à aldeia de Manarola, sempre com paisagens magníficas.

É considerado como o caminho do amor porque os casais apaixonados têm vindo a escolher aquele local, de paisagens românticas e sublimes, para celebrar e reforçar as suas relações amorosas, fazendo declarações de amor ou mesmo pedidos de casamento. Outros prendem um cadeado ao corrimão que percorre todo o trilho e que, supostamente, se irá manter firme, e com ele, aquela paixão será reforçada.
No final do trilho chegámos à aldeia de Manarola, a segunda do Parco Nazionale delle Cinque Terre (e quem for de comboio irá sair numa estação que fica bem no centro da aldeia).

É uma das aldeias mais pequenas, mas não deixa de ser uma das mais bonitas, com as casas sempre naquelas cores pastel desta região, amontoadas sobre um rochedo que cai abruptamente onde o mar desenha uma lagoa que é também o seu porto de pesca.
 

Carlos Prestes