sábado, 14 de abril de 2012

O Grande Canal


A cidade de Veneza desenvolve-se sobretudo numa ilha completamente rasgada por múltiplos canais e dividida ao meio, de forma sinuosa, por um canal que se destaca dos demais por ser bastante maior, e que é, naturalmente, chamado de Grande Canal.

As margens deste canal são uma espécie de primeira linha, quando pensamos em construções junto ao mar. A proximidade do canal constitui sempre a zona mais nobre de cada bairro, por isso, é ali que encontramos os grandes e luxuosos palazzos da cidade, que se vão sucedendo ao longo dos quase quatro quilómetros da sua extensão, proporcionando paisagens extraordinárias e completamente exclusivas, só possíveis de encontrar no canal principal desta magnífica cidade.

Na maioria dos bairros venezianos o Grande Canal surge sempre como se fosse a avenida principal, onde desaguam muitos dos outros pequenos canais e onde encontramos a verdadeira palpitação da cidade, com a cor e o movimento de uma cidade viva, e que não é só dos turistas.

Um exemplo do esplendor do Grande Canal é o que encontramos na Riva del Vin, a muralha da margem Norte que nos conduz até à Ponte de Rialto, completamente preenchida por esplanadas, sempre com uma enorme afluência, numa envolvente emoldurada pelas águas do canal, pelos característicos palazzos venezianos e pela presença de ancoradouros em paliçadas com toda a variedade de embarcações, onde se destacam as típicas gôndolas… que magnífico conjunto.

Carlos Prestes

La fondamenta veneziana


Ao deambular pelas ruelas apertadas e pelas muitas pontes que cruzam os canais venezianos, percorremos também as muralhas ou paredões que nos conduzem junto às margens de cada canal, e que são designados pelo estranho nome de la fondamenta veneziana.

É ao longo destes passadiços junto à margem dos canais que nos vão sendo oferecidas algumas das paisagens mais bonitas desta cidade, mostrando a imagem conjunta dos canais e dos magníficos edifícios que se erguem nas margens, com a belíssima arquitetura local, quase monumental, e sempre preciosa.

É por esta teia de fodamenta’s, que são uma imagem de marca da cidade, que percorremos grande parte desta Veneza lindíssima, passando entre os recantos mais bucólicos da cidade e os locais mais concorridos, onde milhares de turistas se acotovelam para passar pelas estreitas muralhas à beira do espelho de água de cada um dos canais da cidade.

Carlos Prestes

O ghetto judeu


Num dos principais bairros da cidade de Veneza, um dos primeiros que encontramos quando saímos da estação ferroviária, o Bairro de Cannaregio, encontramos o antigo bairro judaico da cidade. Não é, de todo, uma das principais atrações da cidade dos canais pelo que nos limitamos a percorrer as suas ruas labirínticas sem qualquer destino específico, mas passando pelas principais praças, como o Campo di Ghetto Nuovo. 

O bairro apresenta uma arquitetura pitoresca e cuidada, apesar de ter sido sempre um dos bairros mais modestos de Veneza, foi reabilitado no final do século XX, adquirindo alguma nobreza que hoje ostenta. O Ghetto de Veneza foi uma zona reservada por imposição governamental para ser ocupada pelos judeus da cidade. Começou por ser apenas um pequeno bairro, o Ghetto Vecchio original, mas foi crescendo, alastrando por outras zonas, o chamado Ghetto Novo, no século XVI e, no século seguinte, o Ghetto Novíssimo.

O Campo di Ghetto Nuovo é a praça onde se concentram as principais referências judaicas da cidade, como o Museo Ebraico ou o Chabad, e funciona como o coração das importantes referências históricas que ligam a comunidade judaica à história da cidade de Veneza.
Como curiosidade, o nome "Ghetto" resulta da deformação do veneziano "getto", significa "fundição", já que este bairro foi construído num local de uma antiga fundição. E a atual designação de Ghetto, (em português, “gueto”), utilizado correntemente em vários idiomas como termo genérico para um local onde uma minoria está separada do resto da sociedade, provém originalmente do nome deste mesmo bairro veneziano.


As máscaras do Carnaval veneziano


Mal entramos pelos bairros mais típicos da cidade começamos a encontrar bancas de rua com souvenires bastante apelativos que sempre atraem os turistas. Uma das marcas mais icónicas da cidade, logo depois dos canais, e que é talvez a mais procurada por quem a visita, é a imagem do carnaval veneziano, numa mistura de luxo com um fabuloso ambiente de misticismo. 

São aquelas festas requintadas nos grandes palazzos, com trajes extraordinários, e é sempre uma enorme dose de mistério, que nos assusta, sem sabermos bem porquê, talvez por força de tantos livros e filmes, que nos preenchem as memórias e que já nos fizeram vaguear algumas vezes pelas ruas desta cidade em plenos festejos carnavalescos.

E sempre que visito a cidade de Veneza, nunca deixo de me sentir impressionado pelas míticas máscaras venezianas, a imagem mais marcante do requintado e exuberante carnaval, um ambiente de mistério que me faz sempre sonhar, sem que seja necessário visitar a cidade durante essa época festiva.


Surpresa às portas da cidade - Veneza


Veneza é um local que me habituei a visitar ao longo da minha vida, viagens com distintos estados de espírito e em épocas e circunstâncias diferentes, nalgumas delas com a devida preparação, mas noutras limitando-me a seguir a torrente de turistas, sem destino definido, percorrendo freneticamente o labirinto de ruas, pontes e canais, que se iam sucedendo.

Mas com maior ou menor tempo de visita, com mais ou menos programação, Veneza será sempre uma cidade inesquecível e o que importa é que cada um de nós encontre a sua forma de descobrir o encanto e a magia que a cidade tem para oferecer, seja percorrendo impacientemente cada ruela ou apenas deixando-se ficar nalgum lugar mais inspirador.

Foi com base num conjunto de experiências ao longo de quase três décadas, que farei esta e outras postagens sobre a cidade dos canais, mostrando alguns locais de referência para que se possa conhecer o essencial desta cidade.

Uma das possibilidades mais comuns para entrar na cidade, mesmo quando chegamos de avião, será fazer o último trecho, entre Mestre e Veneza, de comboio, fazendo assim a entrada pela Stazione di Venezia Santa Lucia.

Desta forma, e mal saímos da imensa estação e nos aproximamos do Grande Canal, é impossível não nos sentirmos arrepiados pela presença daquele cenário que toda a vida nos acompanhou no nosso imaginário e que nos surge ali, de repente e quase surpreendentemente, à nossa frente.

E é inevitável que nos deixemos ficar algum tempo ali parados, só a contemplar, pasmados como miúdos às portas de um parque de diversões… aquele canal com um vaivém de barcos, que mais nos parece uma estrada movimentada, os edifícios marginais, com uma arquitetura preciosa e, ao fundo, a silhueta da cidade marcada pelas torres e abóbodas das muitas igrejas que ela guarda nas suas entranhas, e que são o testemunho de séculos de uma história de encantar.



sexta-feira, 13 de abril de 2012

O glamour dos Alpes italianos - Cortina


Depois de passarmos toda a manhã percorrendo as estradas de montanha mais profundas do complexo montanhoso dos Dolomitis, chegámos à cidade mais importante e mais charmosa desta zona dos Alpes, Cortina d’Ampezzo.

A cidade de Cortina está localizada na região de Veneto a apenas 160 km de Veneza, e foi durante décadas a estância de ski mais chique de Itália e uma das mais apreciadas da Europa, sobretudo após os Jogos Olímpicos de Inverno que ali decorreram em 1956.

A estância oferece uma variedade de pistas de ski elegantes e bem equipadas para todos os gostos, mas também a possibilidade de se usufruir do estilo de vida italiano mais glamouroso… entre as lojas de moda de marcas premium, a gastronomia nos melhores restaurantes ou o desfile de carros desportivos, não há falta de opções para quem prefira saborear a montanha sem calçar as desconfortáveis botas de ski, ou para quem passou o dia a esquiar e queira passar algum tempo em modo lento.

O local tem ainda sido escolhido para a rodagem de alguns filmes, como o primeiro da série "A Pantera Cor-de-rosa", em 1964, com Peter Sellers, com cenas passadas na cidade, mas, o mais famoso, foi o 007 de 1981, “For Your Eyes Only”, com perseguições incríveis com esquiadores e motas em plenas pistas de ski das estâncias de Cortina… nas quais o agente Bond, interpretado por Roger Moore, acaba sempre por levar a melhor.

Devido ao nível altíssimo que esta cidade, e as suas estâncias, adquiriram, torna-se mais económico se escolhermos hotéis fora da cidade. De qualquer forma, podemos sempre usufruir dos restaurantes, tal como fizemos naquele dia, e até nos podemos arriscar a entrar em lojas e fazer algumas compras, embora sempre a preços altos, sobretudo na rua principal, o Corso Itália, que está repleta de lojas de marca… mas quanto aos carros desportivos, será melhor ficarmos apenas a observar.

Carlos Prestes



quinta-feira, 12 de abril de 2012

Vale de Gardena


O local escolhido para as nossas férias de ski na Primavera do ano de 2012, foi o Vale de Gardena. Localizado a 50 km da cidade de Bolzano, a capital de distrito, este vale apresenta uma paisagem típica dos alpes, com chalets de madeira dispostos ao longo das colinas relvadas e com as montanhas ao fundo, cobertas de neve.

A estrada que percorre o vale vai atravessando as várias comunas que se distribuem entre Ortisei e Selva Gardena, e que correspondem às estâncias de ski que ali podemos encontrar, sempre com o mesmo tipo de paisagens a fazer lembrar os calendários alpinos ou as caixas de chocolates suíços. Chegámos ao hotel escolhido, numa das povoações mais típicas do vale, a aldeia de Santa Cristina, alugámos skis, botas e bastões, para os próximos dias de ski, e partimos para um passeio onde nos deliciámos com as imagens que nos envolviam num final de tarde magnífico.
Na manhã seguinte, com um forfait que nos dava acesso às diversas pistas do vale, escolhemos passar o dia na estância de L'Alpe di Siusi, junto ao povoado de Ortisei, que ocupa uma zona vasta com muitos quilómetros de pistas que se encontravam praticamente desertas e totalmente por nossa conta. Com o céu limpo e um sol brilhante, embora a neve, já primaveril, não estivesse perfeita, acabou por ser um dia de ski perfeitamente fantástico.

Fomos percorrendo quase sempre pistas diferentes e fomos parando em esplanadas de chalets de montanha, não só para almoçar e fazer algumas pausas para descanso, mas também para umas cervejas e umas chávenas de chocolate quente, uma combinação que sempre apreciei e que me sabe especialmente bem numa esplanada soalheira rodeada por montanhas nevadas.

No segundo dia em Vale Gardena escolhemos a estância de Plan de Gralba, próxima da povoação de Selva Gardena. Nas cotas mais baixas a estância é formada por pistas ladeadas por pinheiros alpinos, com as montanhas rochosas, logo atrás, numa paisagem sublime.
Foram três dias fantásticos num dos locais de montanha mais belos e fascinantes em que alguma vez esquiámos… um ambiente especial numa combinação perfeita entre a paisagem dos Alpes e os encantos que sempre encontramos por toda a Itália, e de que tanto gostamos.

Carlos Prestes