sexta-feira, 20 de abril de 2012

Il quartiere di Boccadasse


Para terminar a visita à cidade de Génova foi necessário voltar ao carro e fazer um percurso de cerca de 5km até à costa do lado Nascente da cidade, a Oeste do cabo de Santa Chiara.

O objetivo era visitar o bairro do Boccadasse, um antigo bairro típico de marinheiros e pescadores. O local é bastante pitoresco, com as casas de pescadores lindissimas pintadas nas mesmas cores que nos acompanham ao longo destes dias em que estamos na Ligúria, com semelhanças evidentes com as aldeias das Cinque Terre.

O bairro é visitado por muitos turistas que são atraídos pelas suas bonitas imagens que figuram em todos os folhetos turísticos sobre a cidade de Génova. Boccadasse possui um castelo e uma pequena praia, onde são guardados os típicos barcos dos pescadores.

A origem do nome deste bairro resulta da forma da baía em que se situa, sendo o nome formado a partir da abreviatura do termo genovês para boca de burro ou boca d'aze.

Uma bela forma de terminar esta vista à cidade de Génova e à região da Ligúria, neste fim de tarde nublado de águas calmas, observando a silhueta deste bairro tão bonito e pitoresco e imaginando façanhas de marinheiros de outros tempos, mas também de pescadores que, nos dias de hoje, continuam a enfrentar o mar em pequenas embarcações para garantir o sustento.



Il Caruggi di Genova


No coração da cidade velha encontramos uma malha apertada de ruas estreitas e becos, que caracterizam esta zona de origem medieval, e que vão intercetando pequenas praças, quase sempre ocupadas por esplanadas de restaurantes ou cafés, como é o caso da Piazza d’Erbe.

Nesta parte do centro histórico encontramo-nos num autêntico emaranhado de ruelas e pracetas encaixadas nos edifícios, normalmente altos e com as fachadas pintadas a cores pastel da Ligúria. São conhecidos como Caruggi, com uma tradução aproximada de “becos”, e que constituem a principal marca deste centro histórico, bem diferente de outro tipo de ruelas que encontramos nas demais cidades italianas.

Percorrendo este conjunto de caruggi, onde o sol não consegue entrar, podemo-nos deixar encantar com os traços mais típicos da cidade, imaginando histórias de uma vivência ancestral naquelas mesmas ruas, de uma cidade de pescadores e marinheiros que sempre viveu do mar e para o mar.

E em cada recanto a cidade vai-nos surpreendendo com novos becos e novas pracetas, sempre os Caruggi de Génova, que mantêm o mesmo aspeto do antigo centro da cidade, e são, ainda hoje, como eram antes, o seu coração palpitante.
    



La cattedrale di Genova


A Porta Soprana ou Porta di Sant'Andrea, que fica junto à casa de Colombo, foi uma das antigas portas da cidade e, apesar de ter sido construída na época medieval, mantém ainda hoje o seu aspeto original, com um arco central e duas torres laterais.

Esta porta assinala o limite entre a zona nova da cidade, com uma arquitetura clássica, e o seu centro histórico, a cidade medieval, constituída por uma teia de ruelas apertadas, autênticos becos, os chamados Caruggi, que nos levam a vaguear por entre as casas mais típicas da cidade e uma coleção interessantíssima de monumentos e edifícios históricos, onde se destaca a imponente Cattedrale di San Lorenzo, o duomo da cidade de Génova.

Esta igreja, consagrada a San Lorenzo, foi fundada no século IX e, desde logo, foi escolhida como catedral da cidade devido à sua localização protegida, no interior das muralhas da cidade.

Tem uma fachada magnífica com listas brancas e negras, dos dois tipos de mármore utilizados e caracteriza-se por conter vestígios dos diversos estilos arquitetónicos da cidade, desde o portal lateral de San Geovanni, no estilo românico, datado do século XII, aos elementos barrocos de algumas capelas laterais e, no extremo oeste, os três portais em estilo gótico francês.

A capela mais luxuosa da catedral é dedicada a São João Batista, o santo padroeiro de Génova, com um sarcófago do século XIII, onde outrora foram guardadas as relíquias do santo.

Existe ainda um museu, Museo del Tesoro di San Lorenzo, um autêntico relicário localizado no piso inferior e com entrada pela sacristia, que guarda diversos tesouros, com destaque para um prato de vidro verde que, supostamente, terá sido usado na Última Ceia e um prato caledónico azul onde, alegadamente, foi apresentada a Salomé a cabeça de São João Batista.

São vários os atrativos que justificam uma visita a esta igreja imponente que se ergue de forma inusitada no meio da teia de pequenas ruelas e casas amontoadas que formam a cidade medieval.

A pátria-mãe do grande almirante - Génova


A cidade de Génova é bem diferente da maioria das cidades italianas e, na minha opinião, nem é, de todo, das mais interessantes deste país. Historicamente a cidade é um local de referência, a antiga república marítima de Génova, que teve um papel de destaque na exploração do mar e no descobrimento de novas terras ao longo dos séculos da sua existência. 

Terá mesmo sido o berço oficial de um dos principais marinheiros da história, Cristóvão Colombo, ou Cristoforo Colombo, um genovês que descobriu meio mundo, embora nunca em representação do seu país natal . . . mas, a realidade talvez não seja bem essa e talvez o grande almirante nem seja sequer genovês, mas isso são teorias de conspiração que mais à frente vou revelar. 

A cidade é bastante grande mas os locais mais interessantes para uma visita turística acabam por se confinar apenas aos bairros, ou distritos, mais típicos, que incluem o porto e o centro histórico, com os chamados Caruggi, um emaranhado de ruelas e becos, entalados entre edifícios, normalmente altos e com as fachadas pintadas nas cores pastel da Ligúria

Ao longo da nossa visita atravessámos as principais ruas e praças da cidade até chegarmos à Piazza Dante onde se encontra, junto à Porta Soprana, a Casa de Cristoforo Colombo. Trata-se de um pequeno edifício com uma fachada degradada onde, supostamente, terá nascido e vivido, durante a sua infância, o famoso navegador e explorador do Novo-Mundo, e onde está atualmente o museu La Casa di Colombo.
Quando viajamos ficamos surpreendentemente interessados em temas que nos eram completamente indiferentes, mas que, subitamente, nos passam a fazer todo o sentido. Isso está sempre a acontecer e, no caso concreto da cidade de Génova, é quase natural que se acabe por refletir um pouco sobre a figura daquele marinheiro que descobriu meio mundo e que terá nascido e vivido ali, bem naquele local. 

Mas, neste caso, existe ainda uma dúvida razoável, que é também uma curiosidade interessante, porque, na verdade, não há a certeza de que Cristóvão Colombo tenha mesmo nascido naquela casa, nem sequer, que tenha nascido na cidade de Génova. 

Para mim - e lá vem a teoria da conspiração - Cristóvão Colombo não era, de todo, o filho de um tecelão genovês . . . Cristóvão Colombo seria antes, um fidalgo português. Um português nascido no século XV em Cuba, no Alentejo (não foi um acaso ter baptizado com o mesmo nome a maior ilha que descobriu no mar das Caraíbas). Era judeu e era fidalgo, porque um filho de um tecelão não chegaria a comandante de uma armada e jamais poderia desposar uma fidalga, como Colombo, que casou com Filipa Moniz, uma portuguesa filha do governador (na altura, chamava-se capitão donatário) da ilha de Porto Santo. 

Mas se era português, porque razão D. João II lhe negou o apoio da coroa portuguesa para uma expedição na busca do Novo-Mundo? . . . o que o fez rumar a Espanha, tendo sido em nome da coroa espanhola que o navegador se fez ao mar e encontrou as Américas, no ano de 1492. 

A resposta é, também ela, parte da mesma teoria da conspiração. A verdade é que os portugueses já conheciam o que existia a Oeste nas suas incursões por aquelas bandas, embora só tenham formalizado o descobrimento do Brasil seis anos depois de Colombo ter descoberto a América. Mas, conhecendo aquela linha de continente, os portugueses já sabiam que não seria daquele lado que se iria encontar aquilo que todos procuravam . . . e que era a Índia (vá-se lá saber porquê mas naquela época os Reis passavam-se com pimenta e canela e outras ervas de cheiro). 

Assim, Colombo foi para Espanha, não por ter sido rejeitado por D. João II, mas justamente por ter sido enviado por aquele monarca, para fazer com que a armada espanhola seguisse para Ocidente, desviando-se irremediavelmente da direção que os levaria até à Índia. E a América foi apenas um efeito secundário, uma espécie de prémio de consolação. 

E foi desta forma que, alguns anos depois, Portugal, representado por Vasco da Gama, já durante o reinado de D. Manuel I, descobriu o caminho marítimo para a Índia entre 1497-1499. Ou seja, ficámos nós com as especiarias, no bem-bom, enquanto eles tiveram de se contentar com a América e as Caraíbas . . . se calhar sou só eu, mas isto não me soa lá muito bem!!! 

Só para rematar, esta teoria não é minha e já li justificações que a vão comprovando ao longo das várias fases da vida de Cristóvão Colombo. E eu, que até sou bastante sético, neste caso achei que faziam todo o sentido. 

Mas sendo português ou genovês, a verdade é que estamos perante aquela que é a casa oficial do grande almirante e, se pensarmos bem, isso é algo que nos impressiona . . . imaginarmos que foi ali que o pequeno Cristoforo terá - eventualmente - nascido e dado os seus primeiros passos, antes de se fazer marinheiro e ter trazido novos mundos ao mundo. 

Carlos Prestes 

O centro clássico da cidade de Génova


A cidade de Génova é bem diferente da maioria das cidades italianas e, na minha opinião, não é, de todo, das mais interessantes deste país. Tinha cá vindo numa passagem fugaz durante um inter-rail e não fiquei com grande vontade de voltar, e passaram quase 30 anos para esse regresso. Mas desta vez a cidade pareceu-me bastante diferente, sobretudo na zona do porto que era apenas um porto industrial e agora toda aquela zona é uma imensa marina e um dos locais que mais atrai os habitantes da cidade e todos os que a visitam.

Historicamente a cidade é um local de referência, a antiga república marítima de Génova teve um papel de destaque na exploração do mar e no descobrimento de novas terras ao longo dos séculos da sua existência. Terá mesmo sido o berço oficial de um dos principais marinheiros da história, Cristóvão Colombo, ou Cristoforo Colombo, um genovês que descobriu meio mundo, embora nunca em representação do seu país natal... mas a realidade talvez não seja bem essa e talvez o grande almirante nem seja sequer genovês, mas isso são teorias de conspiração que vou desenvolver noutro post.

A cidade é bastante grande, mas os locais mais interessantes para uma visita turística acabam por se concentrar em três bairros, ou distritos, que incluem o porto e o centro histórico, com um emaranhado de ruelas e becos, ou Caruggi, como aqui são chamados. Foram esses três bairros, San Vincenzo, Molo e Maddalena, que percorremos ao longo do dia que passámos na cidade de Génova. Terminámos depois de uma breve paragem em Boccadasse, um antigo bairro típico de marinheiros e pescadores.

Mas antes de entramos definitivamente pela parte velha da cidade, estivemos no centro clássico da cidade, toda a zona em torno da Piazza de Ferrari, ou Piazza Raffaele de Ferrari, que é talvez a praça mais emblemática de toda a cidade, localizada no seu coração, quase no limite do centro histórico, e que é conhecida pela sua fonte majestosa, quase um ícone da cidade de Génova.

Na envolvente da praça existem vários edifícios clássicos, como o Palácio Ducal, o Museo Accademia Ligustica di Belle Ar, o Teatro Carlo Felice e o monumento a Victor Emmanuel II. Mas estão ali também alguns dos mais importantes edifícios de escritórios, sedes de bancos e companhias de seguros, o que torna esta praça como o principal centro financeiro e de negócios da cidade de Génova. No final do século XIX, Génova era um dos principais centros financeiros italianos, juntamente com Milão, e a Piazza de Ferrari foi sempre o lugar onde as grande instituições se estabeleceram, como a Bolsa de Valores, o Crédito Italiano ou a filial do Banco da Itália.

Hoje é uma praça movimentada, marcada sobretudo pela presença dominante da La fontana di Piazza De Ferrari, a mais importante de todas as fontes da cidade.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

A praias mais típicas da Ligúria - Camogli


Continuando pelas estradas sinuosas da Riviera num percurso de cerca de 10km desde Rapallo, chegámos a Camogli, uma das muitas praias que esta zona vai oferecendo ao longo de toda a costa até Génova. No entanto, embora os locais sejam bastante charmosos as praias não se aproximam do nosso conceito daquilo que é uma praia. Além de não haver areia branca, e às vezes nem há mesmo areia, as praias são praticamente privadas, porque a grande maioria do espaço fica ocupada pelos concessionários que criam uma espécie de esplanadas com espreguiçadeiras, e nada se assemelha à imagem habitual das nossas praias. Além disso, durante o Verão estas praias ficam apinhadas de banhistas e o local perde grande parte da sua beleza, por isso esta zona torna-se claramente mais bonita e interessante fora da época alta, como foi o caso das nossas duas últimas viagens, ambas na Primavera.

Das várias zonas balneares desta costa escolhemos Camogli, por ser muito mais do que uma simples zona de praia, mas sim uma vila já com alguma dimensão e bastante interessante, sobretudo pela sua arquitetura tão pitoresca, que se desenvolve ao longo de toda a praia e na baía do porto.

Já junto à praia encontramos um calçadão pedonal, a Via Giuseppe Garibaldi, cheia de restaurante e gelatarias, que se estende numa extensão de cerca de 400m, começando por ser apenas uma ruela por entre as casas, mas que, depois, já junto à praia, percorre toda a baía até ao lado oposto onde se ergue a Basilica di Santa Maria Assunta, construída sobre uma pequena península rochosa que separa a praia do porto da marina.

A beleza do interior desta pequena basílica é bastante afamada e faz parte dos registos, mas certamente nada é mais singular e mais precioso nesta igreja do que a beleza do seu edifício naquele enquadramento tão pitoresco, entre as casas coloridas e o azul do Mediterrâneo.
Atravessando a zona da península em que se ergue Basilica di Santa Maria Assunta chegamos a uma outra baía, ocupada por uma marina e pelo porto de pesca, totalmente rodeados por edifícios idênticos aos demais desta vila, conferindo a este porto um aspeto pitoresco e uma paisagem muito peculiar, que não se encontra noutros locais, mesmo aqui em Itália.

O glamour da Riviera italiana - Portofino


No extremo de uma península montanhosa na Riviera italiana, a cerca de 30km de Génova, desenha-se uma enseada onde repousa a pitoresca aldeia de Portofino, que é também uma marina natural lindíssima, ornamentada pelos contrastes entre as casas pintadas nas cores pastel da Ligúria, o azul forte das águas do Mediterrâneo e as encostas matizadas de verde viçoso. 

Na minha última chegada a Portofino o dia acordava com o céu nublado e a aldeia adquiria um aspeto melancólico e algo diferente do que se espera duma zona balear como esta. Relembrou-me uma referência cinematográfica que me leva sempre a este lugar, o filme Al di là delle nuvole (Para além das nuvens), um conjunto de quatro contos encantadores, criados de forma sublime por Michelangelo Antonioni. E a memória leva-me ao segundo conto, onde Portofino surge cinzento e enevoado, como cenário para as cenas de um amor impudico, entre Sophie Marceau e John Malkovich.

E saindo do cinema, mas ainda fora do mundo real, Portofino era também a referência das passerelles internacionais por onde passavam as super top-models, nos desfiles que davam na televisão portuguesa, realizados em plena Piazza Martiri dell'Olivetta, a praça principal junto à baía que banha a aldeia.

Depois havia ainda uma recordação muito pessoal, daquilo o meu pai me dizia sobre este local, um dos que mais tinha gostado de tudo o que visitou em Itália, o que sempre me deixou curioso sobre este lugar, aparentemente um pequeno e quase insignificante povoado, mas que seria certamente muito especial.

E foram todas essas imagens e essas referências que me acompanharam e estimularam de todas as vezes que percorri as ruas de Portofino... nunca era apenas aquele momento que ali estava a ser vivido, havia sempre todo um lastro de memórias, algumas seriam pouco mais que imaginação, mas que me faziam sentir que estava num local que me era sempre familiar. 

Mas, em qualquer dos casos, de cada vez que chegamos a Portofino, torna-se incontornável a beleza daquele local... e não são precisas memórias ou referências ao cinema para reconhecer que estamos perante um lugar mágico e encantador.

E ao sair do centro, requintado e glamouroso, seguindo pelo paredão que contorna a baía, podemos escalar os trilhos que nos levam até ao topo da colina do lado Poente, e daí contemplar a melhor paisagem que Portofino nos pode oferecer...
onde a beleza da aldeia se torna tão evidente que é inevitável que nos deixemos deslumbrar de uma forma quase apaixonada.
Carlos Prestes